O grande ausente!

O grande ausente!

Compartilhe essa notícia:

Durante 15 audiências públicas, um seminário e várias reuniões, realizamos debates em torno da reforma da Previdência (PEC 287/2016), que visa garantir a sustentabilidade do sistema, preparando-o para a transição demográfica da população brasileira e incentivando a contributividade. O déficit das contas da Previdência da União e dos Estados atingiu R$ 316,5 bilhões em 2016, crescimento de 44,4% em relação a 2015. 

Ao longo dos debates na Câmara, o embate teve início com a discussão acerca da existência ou não do déficit previdenciário, tese central da oposição. O interessante nos dados mostrados é a supressão da informação do gasto com as aposentadorias dos servidores públicos e a negação de discutir as despesas, mas apenas aumentar receitas. Desconsideram mudanças de expectativa de vida ao nascer, ou ainda a crescente sobrevida pós-aposentadoria. 

Não tratam da grave recessão porque passa o nosso país, fruto dos equívocos do governo Dilma. Prometem, se adotadas suas premissas, um fantasioso “pote de ouro” ao final do arco íris, redentor do negado déficit e da crise econômica. 

Todos os que se manifestam contrários à reforma dizem falar em nome dos mais pobres. Sequer aceitam considerar que a cada ano os recursos totais, originados dos impostos pagos pela sociedade, vão sendo progressivamente consumidos em aposentadorias, pensões, pessoal e encargos, abonos salariais e seguro desemprego. Em 2016, apenas 19.5% da arrecadação tributária foi destinada aos investimentos em outras atividades, incluindo aí os de interesse da sociedade. Em 2024, essa possibilidade sequer existirá, ficando todos os recursos destinados aos itens anteriores e, daí por diante, sequer darão conta daqueles compromissos em sua integridade. 

O interessante, se não fosse trágico, é que ao justificarem suas falas escondem o que de fato ocorre, a defesa dos privilégios daqueles 15% que se aposentam em situações especiais, entre 45 e 55 anos, integralmente. Dizem representar os 64% que se aposentam com um salário mínimo, e em geral aos 65 anos, e os 13% e 8% que se aposentam com a referência de cálculo de 1 a 3 e de 3 a 5 salários mínimos, e que perfazem 85% do total de aposentados. 

Representam, na realidade, o interesse dos privilegiados da nação, embora omitam este fato em suas narrativas. É como se tivesse se organizando um grande cerco na arrecadação anual para manter o “status quo”, impossível de ser sustentado.

Quanto ao povo, esse é o grande ausente desse espetáculo corporativo.

Lelo Coimbra é líder da maioria na Câmara e deputado federal (PMDB/ES)

 

Artigo publicado em A Gazeta no dia 12 de abril de 2017

 

Compartilhe essa notícia: